Chiune Sugihara: o herói japonês que salvou mais de 6 mil judeus na II Guerra

Dia 06 de agosto de 2017, o Japão, relembrou o ataque das bombas atômicas feitas na Segunda Guerra Mundial, com súplica para o desarmamento mundial. O ataque ocorreu há 72 anos e marcou o país para sempre.

Dos horrores da II Guerra, muitas histórias tristes surgiram e nomes de pessoas honradas também. Chiune Sugihara é um deles.

Obviamente, não há nenhuma guerra bela ou gloriosa, há somente dor, barbárie, tristeza e sofrimento.

O único lugar onde os confrontos parecem ter glória são nos filmes, e ela, provavelmente soa como uma ofensa para quem viveu os horrores.

No entanto, uma coisa pode-se afirmar, a guerra revela o pior e o melhor do ser humano. Buda Sakyamuni, afirmou que a batalha não é entre o bem e o mal, é entre o conhecimento e a ignorância.

Geralmente, os lembrados nas guerras são os monstros produzidos, Hitler, Mengels, são alguns deles.

Aqueles que deveriam ser eternizados por seus feitos, acabam caindo no esquecimento.

Isso acontece, pois, a ignorância caminha de salto e o conhecimento caminha descalço. Conheça a história de Chiune Sugihara, um herói japonês que caminhou descalço.

Quem foi Chiune Sugihara?

Chiune Sugihara e família
Chiune Sugihara e família

Sugihara, nasceu no dia 01 de janeiro de 1900, em Kozuchi (atualmente Mino), filho de uma família de classe média alta.

Seu pai queria que ele se tornasse físico, mas após reprovar propositalmente na prova de admissão, foi estudar inglês em Tóquio.

Em 1919, prestou uma vaga no Ministério das Relações Exteriores e foi aprovado. Sua primeira tarefa, foi em Harbin na China, para fazer parte de um comitê que negociava uma ferrovia que era disputada entre União Soviética, Japão e China.

Enquanto esteve em Harbin, aprendeu alemão e russo, além de se tornar especialista em assuntos russos.

Era um diplomata promissor, porém, por não compactuar com a forma em que os japoneses tratavam a população chinesa, foi considerado um servo desobediente do imperador.

Seu coração sempre falava mais alto, nunca deixava sua compaixão e empatia de lado, é isso que fez a diferença.

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O Vice-Cônsul do Império Japonês

Suas habilidades e competências na esfera diplomática, eram exatamente o que o Japão precisava na Europa.

Em 1939 foi designado para trabalhar em Kaunas, na Lituânia, como vice-cônsul no consulado japonês.

Sua tarefa era monitorar as relações entre União Soviética e Alemanha e, reportá-las à Berlim e Tóquio, também tinha contatos com a inteligência polonesa.

No mesmo ano que Sugihara foi a Europa, a invasão à Polônia teve início e os judeus poloneses fugiram para a Lituânia.

A tensão se tornou muito grande, tanto para os judeus da Lituânia, quanto da Polônia. A única salvação seria um passaporte com um visto garantido para algum país distante da política antissemita que se disseminava na Europa.

Judeus estavam em risco

judeus da Lituânia e Polônia

Por conta da situação, muitas pessoas temendo por suas vidas, foram ao consulado japonês, com esperança de conseguir um visto.

Porém, o Japão nunca fora, até então, um país aberto a estrangeiros e sua política de imigração era rígida.

A maioria era recusada, por falta de recursos financeiros. Chiune Sugihara trabalhava no consulado, novamente, sua empatia e coração falaram mais alto.

Inicialmente, Sugihara, consultou o Ministério dos Assuntos Exteriores, para saber como proceder diante da situação calamitosa que se apresentava diante dele.

A resposta era negativa para aquelas pessoas, o visto para o Japão só seria concedido em condição de trânsito para países terceiros.

Consciente de que o pacto de não agressão Nazi-Soviético, tinha prazo para acabar e, a guerra na Lituânia, não demoraria a chegar, Sugihara decidiu agir por conta própria.

A lista de Chiune Sugihara

De 18 de julho até 4 de setembro de 1940, ignorou as ordens do ministério e passou a conceder o máximo de vistos aos judeus para território japonês. Assim surgiu a lista de Chiune Sugihara.

Em desespero, Sugihara, fez encontros com oficias soviéticos para negociar a viagem dos refugiados pelas vias ferroviárias Trans-Siberiana, arriscando sua vida. Os oficias chegaram a cobrar cinco vezes o valor normal da viagem.

O Japão não adotou as leis antissemitas do Eixo, apesar da Alemanha ter pressionado o governo.

Os judeus, graças a Chiune Sugihara, puderam ir para territórios japoneses, ficando salvos dos campos de concentração.

Sempo

Conhecido pelos judeus como Sempo, era visto por eles com esperança. Escrevia os vistos nos passaportes dia e noite, sem ceder às pressões políticas e burocráticas que pairavam sobre ele.

Quando o consulado foi fechado e ele recebeu ordem de evacuar, continuou escrevendo sem parar.

Quando não havia mais tempo, assinou e carimbou folhas em branco e distribuiu para os judeus que faltavam, na esperança de poder salvá-los também.

Segundo relatos de sobreviventes, pouco antes de embarcar, emocionado Sugihara disse: “Por favor, me perdoem, não posso mais escrever, desejo o melhor a todos.”

Um homem desconhecido na multidão respondeu: “Sempo. Nunca esqueceremos você. Com certeza, nos veremos novamente!” Enquanto o trem partia, desconsolado, ele jogou mais documentos pela janela para os refugiados.

O legado de Sempo

Chiune Sugihara, passou o resto da guerra trabalhando nos consulados de Praga e Bucareste.

Em 1944 foi preso pelas tropas soviéticas. Passou 2 anos como preso de guerra, voltou ao Japão em 1946 e morreu em 1986.

Sepultura de Chiune Sugihara

É difícil saber o número exato de vistos que ele concedeu aos refugiados, acredita-se que tenha salvo cerca de 6 mil pessoas.

Alguns deles permitiam que famílias inteiras pudessem ser salvas. Infelizmente, nem todas conseguiram escapar, pois, no ano seguinte a Alemanha invadiu a União Soviética.

Foi reconhecido por Israel em 1985 e recebeu o título de Justo Entre as Nações, concedido a pessoas que ajudaram os judeus durante o holocausto (shoah em hebraico).

Quando questionado o que o levou a tal ato, respondeu com humildade: “Fiz porque tive piedade das pessoas, elas queriam ir embora, então eu dei os vistos a elas.”

Suas ações altruístas passaram em grande parte despercebidos no Japão, somente após sua morte foi homenageado. Em Israel, recebeu uma rua com seu nome em 2016.

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