Decorações tradicionais do Ano Novo japonês

Logo após o dia 25 de dezembro, os enfeites de Natal dão lugar às decorações de Ano Novo (Oshōgatsu). Mesmo que pareçam simples, os ornamentos tradicionais japoneses possuem significados bastantes profundos e complexos. Confira 3 decorações populares do Ano Novo no Japão:

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1. Kagami mochi

Kagami mochi
(Crédito: Divulgação)

Kagami mochi (鏡餅) é uma decoração composta, basicamente, por dois mochi (bolinho de arroz glutinoso) – o menor colocado sobre o maior – e um daidai (tipo de laranja azeda), colocados sobre um suporte especial (sanpō). Outros adornos podem ser adicionados incluindo algas secas, papel japonês decorativo em forma de relâmpago e outros elementos auspiciosos.

O kagami mochi é oferecido ao Toshigami, divindade do Ano Novo, com a finalidade de atrair boa sorte e prosperidade. Esta tradição teve origem no período Muromachi (entre 1336-1573).

Kagami mochi
(Crédito: Divulgação)

Daidai é considerada uma fruta auspiciosa, pois a palavra pode ser traduzida como “geração após geração”, representando a continuidade da linhagem e vida longa. Já, o mochi simboliza o ano passado e o ano que vem. Dessa forma, kagami mochi expressa a continuidade da família ao longo dos anos.

Acredita-se que o nome “kagami mochi” originou-se de sua semelhança com o formato dos espelhos (kagami) redondos de cobre usados durante o período Muromachi.

O kagami mochi é mantido em exibição até o dia 11 de janeiro (ou no segundo sábado ou domingo de janeiro) quando ocorre um ritual chamado Kagami Biraki. Neste dia, o mochi é quebrado em pedaços e cozido, seja em uma sopa de vegetais ou em um oshiruko (sopa doce de azuki).

Atualmente, o kagami mochi pode ser comprado pronto, embalado em plástico e com um daidai de imitação, em supermercados ou em lojas de conveniência.

 

2. Kadomatsu

Kadomatsu
(Crédito: Muza-chan)

Kadomatsu (門松) é um arranjo feito com hastes de bambu, ramos de pinheiro e ramos de ameixeira. Trata-se de uma decoração colocada sempre aos pares em frente às casas e estabelecimentos comerciais.

Simbolicamente, o kadomatsu serve para trazer sorte e para acolher temporariamente o Toshigami (divindade do Ano Novo).

Geralmente, os arranjos são colocados alguns dias após o Natal, por volta do dia 27 de dezembro. Depois, são retirados no dia 7 de janeiro, quando são levados a um santuário xintoísta para serem queimados em uma cerimônia para libertar a divindade.

Kadomatsu
(Crédito: Pakutaso)

O kadomatsu é composto por três hastes de bambu de tamanhos diferentes. Elas representam, do maior para o menor: o céu, a humanidade e a terra. O bambu é o símbolo da força e da flexibilidade.

Os ramos de pinheiro (matsu) representam a constância e a longevidade. Já, os ramos de ameixeira simbolizam a pureza e o novo. Todos esses elementos são amarrados com um cordão de palha.

O kadomatsu é uma tradição que remonta ao período Edo (1600-1868). Antigamente, cada família montava o seu próprio arranjo, mas hoje, as pessoas costumam comprá-los prontos.

3. Shimekazari

Shimekazari
(Crédito: Pakutaso)

Os japoneses colocam o shimekazari na entrada de suas casas como forma de impedir que os espíritos malignos entrem, livrar-se das impurezas, purificar o lar e trazer boa sorte para a família.

Este enfeite é feito com corda de palha de arroz trançada. Ele pode ser decorado com diversos itens auspiciosos: papel japonês decorativo, fruta daidai, lagosta (símbolo da velhice), galhos de pinheiros (símbolos de poder e longevidade) e folhas de samambaia (símbolos de esperança e desejo de ter uma família feliz).

Dicas gerais

Existem algumas regras em relação à decoração de Ano Novo. Primeiro, não vá decorar a sua casa no dia 29 de dezembro! O número nove em japonês remete a uma palavra de sofrimento. Você também deve evitar a decoração no dia 31 de dezembro. Arrumar os ornamentos no último minuto é considerado má sorte.

Se você estiver no Japão, aproveite para decorar o seu espaço! Para todos, um Feliz Ano Novo!

Fonte: All About Japan, Muza-chan (27/12/2011), Muza-chan (26/12/2011), Japan Info (01/06/2015), Japan Info (23/12/2015), Japan Times

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