Abe homenageia Chiune Sugihara, o “Schindler do Japão”, na Lituânia

Chiune Sugihara foi um diplomata japonês que salvou mais de 6.000 judeus europeus do Holocausto através da emissão de vistos. E permitiu que eles escapassem da Lituânia devastada pela guerra.

Saiba sobre a homenagem de Shinzo Abe a este grande homem!

Chiune Sugihara

O diplomata japonês Chiune Sugihara será homenageado pelo primeiro ministro do Japão, décadas após ter desafiado Tokyo para ajudar os refugiados.

A cerimônia acontecerá durante a visita ao edifício que abriga o consulado onde Sugihara trabalhou. Na segunda cidade do estado do Báltico, Kaunas.

Estima-se que Sugihara estava entre cerca de 15 diplomatas que emitiram vistos para judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial. Ele ficou conhecido como o “Schindler do Japão”, uma referência ao empresário alemão Oskar Schindler. Que salvou mais de 1.200 judeus durante o Holocausto.

A história

Sugihara foi nomeado vice-cônsul em outubro de 1939. Um mês depois que os aliados da Alemanha nazista e da União Soviética atacaram e destruíram a vizinha Polônia.

O Japão viu a Lituânia ainda independente e neutra, abrigo de refugiados poloneses, como um local perfeito para o poliglota erudito Sugihara coletar informações sobre os avanços militares na região.

A relativa calma terminou no ano seguinte quando Moscou invadiu o país. Multidões de refugiados judeus, principalmente da Polônia ocupada, começaram a se alinhar no consulado japonês buscando vistos para fugir.

Após o Exército Vermelho entrar na Lituânia, os refugiados perceberam que não era o mesmo país neutro que lhes deu refúgio um ano antes.

Sugihara não perdeu tempo e emitiu mais de 2.000 vistos entre julho e agosto, às vezes trabalhando 18 horas por dia e evitando as instruções rigorosas emitidas por Tokyo.

Ele trabalhava conjuntamente com o cônsul holandês em Kaunas, Jan Zwartendijk. Este, fornecia os documentos que permitiam que os judeus alcançassem o território caribenho holandês de Curaçao, depois de terem atravessado o Japão.

Durante esse tempo, os soviéticos anexaram completamente a Lituânia e ordenaram que diplomatas estrangeiros partissem em setembro.

Sugihara manteve a emissão de vistos no hotel Kaunas Metropolis. E, de acordo com algumas testemunhas, até mesmo do trem Kaunas-Berlim, antes de partir para a Alemanha.

Com vistos, os judeus faziam uma viagem ferroviária de duas semanas na Rússia, para Vladivostok, no extremo leste. Depois viajaram de barco para o Japão.

Muitos também foram enviados para o Gueto de Xangai e ficaram lá até o final da guerra.

Para aqueles que não fugiram, a tragédia foi iminente: mais de 90% dos mais de 200 mil judeus lituanos morreram sob a ocupação alemã nazista de 1941 a 1944.

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A renúncia

Sugihara renunciou ao Ministério das Relações Exteriores em 1946, e alguns historiadores disseram que ele foi forçado a fazê-lo por desafiar as regras enquanto estava na Lituânia.

Ele morreu em 1986, dois anos depois de receber o título de “Righteous Among the Nations” (Justo entre as nações) de Israel. Uma homenagem às pessoas que salvaram os judeus durante o Holocausto.

A homenagem

Hoje, existem cerca de 3.000 judeus que vivem na Lituânia e para o seu líder, Faina Kukliansky, o legado histórico de Sugihara é “imensurável”. Ele disse a impressa do Japão:

“A determinação japonesa de Sugihara e seu espírito de humanismo europeu construíram uma ponte para a vida de 6.000 judeus, enquanto seu legado constrói pontes entre nações e gerações”.

Para homenagear Sugihara, Kaunas e a capital da Lituânia, Vilnius, nomearam ruas e praças com o nome do diplomata. Enquanto que, o antigo consulado agora tornou-se um museu.

No ano passado, 14 mil turistas japoneses visitaram a casa, em um bairro arborizado de Kaunas. E acredita-se que a visita do primeiro-ministro Shinzo Abe ao museu também aumentará esse interesse.

Abe, que já havia sido criticado por parecer minimizar as próprias atrocidades do Japão durante a guerra, visitará a Lituânia depois de se tornar o primeiro líder japonês a visitar as vizinhas Estônia e Letônia.

Sua viagem de seis dias, que iniciou na última sexta-feira, inclui também a Bulgária, a Sérvia e a Romênia.

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