Insônia no Japão: estudo revela que japoneses são os que dormem menos

Considerado um dos melhores países do mundo para viver, o Japão atualmente ocupa o 19° lugar no ranking mundial de IDH. Mas você sabe qual é a qualidade do sono dos japoneses? Péssima.

A insônia no Japão é um dos problemas que assolam o país e afetam até o desenvolvimento econômico do país. Saiba mais.

Trabalho, pressão e pouco sono

Ser a terceira maior economia do mundo também tem seu preço, afinal, casos de overwork e karoshi no Japão ainda são comuns.

O mercado de trabalho japonês é muito exigente em relação aos profissionais. Na verdade, há também uma rígida expectativa social sobre o trabalhador.

Embora a cultura de trabalho no Japão seja muito forte, não só os trabalhadores que são pressionados na sociedade, existe expectativa social e familiar sobre os estudantes.

Dormem menos

Aliás, os japoneses são os que menos dormem a nível de ranking mundial. Isso é o que mostrou um estudo conduzido pela empresa Polar’s Electro e divulgada pelo Japan Today em 2011.

Além disso, eles são os que vão para cama mais tarde. A pesquisa mostrou que a média do sono é de 6 horas e 35 minutos. 45 minutos menos que a média mundial.

Em comparação com o país em primeiro lugar, os filandeses costumam dormir sete horas e 45 minutos.

Casos comuns

Ainda segundo o Japan Times, Fumiyoshi Shimizu é um exemplo de karoshi e de privação do sono. No caso dele, a privação de sono causou problemas de saúde e afetaram seu trabalho e vida social.

Sintomas com ansiedade o fizeram temer seu celular, já que o medo do despertador tocar significava ter que ir ao trabalho. Ao chegar em casa cansado, não conseguia pegar no sono, já que não conseguia relaxar.

Nove meses após entrar como funcionário e estar acostumado com um turno de oito horas diárias, Shimizu foi promovido de cargo a gerente comercial da SHOP99 e passou a fazer turnos regulares de 15 horas.

Além da falta de sono e o ritmo acelerado, não tinha folgas ou pausas. Chegou a fazer uma carga de 23 horas e 47 minutos por turno.

Exausto, perdeu peso e começou a sofrer de doenças. Após sete meses foi aconselhado a parar de trabalhar imediatamente e buscar tratamento. Foi diagnosticado com depressão.

Sono – depressão- suicídio

Segundo o especialista de sono Makoto Uchiyama, da Universidade de Medicina e Psquiatria Nihon, a falta de sono dos trabalhadores já causou um déficit de 3,5 trilhões de ienes a economia japonesa apenas em 2005.

Afinal, com a falta de sono diminui a produtividade, além de facilitar falhas humanas em indústrias e aumento de acidentes. Por isso, essa questão virou questão de saúde pública no Japão. Já que a insônia está ligada com a alta taxa de suicídios também.

White Paper on Sleep

As pressões e os problemas no cotidiano dos japoneses afetam e muito a qualidade do sono. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Nishikawa Sangyo, cerca de metade da população japonesa sofria com insônia.

O estudo sobre os hábitos de sono dos japoneses foi realizado em escala nacional e entrevistou dez mil homens e mulheres na faixa etária de 18 à 79 anos em julho de 2018.

Os participantes receberam um questionário com oito perguntas sobre seus hábitos noturnos. Cada resposta recebeu diferentes pontuações para determinar qual o grau do indivíduo dentro da Escala de Insônia de Atenas.

Resultados

A pesquisa revelou que 49,3% dos entrevistados são potenciais portadores de insônia e que 18,2% têm problemas para dormir.

A faixa etária que mais chama atenção é a dos 20 aos 29 anos de idade. Pouco menos de 80% desse grupo foi classificado com suspeita de insônia ou problemas para dormir.

O estudo também revelou que as mulheres representam a maior parte da população com problemas de insônia. Além disso, a maioria dos japoneses não sentem que dormiram bem ou que dormiram muito aquém do necessário.

De acordo a pesquisa, a média de horas de sono insuficiente entre os entrevistados foi de 5hs46min, já o considerado suficiente é de 7hs50min.

Causas

Quando questionados sobre os motivos que levam a falta de sono, para 46,1% respondeu que o desgaste físico do dia a dia é o principal motivo.

Já para 61,1% dos entrevistados, o cansaço mental do dia-a-dia supera o desgaste físico e gera mais dificuldade para dormir bem.

O estudo também revelou que papéis brancos e as luzes brancas contribuem para a má qualidade do sono das pessoas.

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