Jornalista Jumpei Yasuda é libertado após anos sequestrado

Jumpei Yasuda, 44 anos, foi libertado após três anos em cativeiro na Síria. Ele está na Turquia em espera para voltar ao Japão.

Com aparência abatida, Jumpei Yasuda declarou estar feliz em voltar ao Japão, mas não sabia o que fazer daqui para frente. O jornalista embarcou em um vôo da Turquia para Istambul. Em seguida irá para Tokyo.

Jumpei Yasuda

Confirmações vieram depois que o jornalista encontrou com membros da embaixada do Japão e divulgadas pelo Ministro das Relações Internacionais Taro Kono.

Myu Yasuda, a esposa do jornalista se emocionou bastante ao saber das notícias. Em agosto fez um apelo pela libertação de Jumpei após um vídeo de apelo circular. Até então sua postura era reservada por medo de atrapalhar as negociações.

Myu Yasuda

Jumpei Yasuda

O jornalista japonês começou sua carreira na prefeitura de Saitama. Lá, trabalhou como repórter para o jornal local Shinano Mainichi Shimbun em 1997.

Depois de uma viagem ao Afeganistão em 2003, viajou para o Oriente Médio e se tornou correspondente internacional freelancer.

Yasuda cobria confrontos no Iraque e Síria. Além disso, durante a invasão estadunidense no Iraque em 2004, o jornalista foi capturado por um grupo de insurgentes armados.

Após três dias Yasuda foi solto sem ferimentos ou sinais de maus tratos com outro cidadão japonês.

Porém, uma parcela da sociedade japonesa o criticou duramente por ir a uma zona de conflito cobrir as batalhas e envolver o governo para negociar sua libertação dos insurgentes.

Sequestro

Jumpei Yasuda

Para cobrir o conflito na Síria, o jornalista contou para um amigo no Japão, que em 23 de junho cruzou a fronteira do país pela Turquia. Essa foi a última mensagem de Yasuda.

Acredita-se que seu sequestro aconteceu na província de Iblid, região controlada por rebeldes e terroristas.

Os responsáveis pelo sequestro eram terroristas do Jabhat Fatah al-Sham ou al-Nusra, um braço armado da organização Al Qaeda. Eles exigiam um resgate de 10 milhões de dólares.

Porém, o governo japonês não atendeu ao pedido dos terroristas. De acordo com fontes oficiais, o jornalista foi libertado graças a uma ação conjunta com a Turquia e o Qatar.

As agências antiterroristas dos dois países trabalharam em conjunto com a então recém criada Unidade Especial de Inteligência Antiterrorismo do Japão.

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Kenji Goto

No mesmo ano em que Yasuda foi sequestrado, o jornalista japonês Kenji Goto, 47 anos, foi assassinado por combatentes do Estado Islâmico.

Kenji Goto e Jumpei Yasuda eram amigos e pertenciam a mesma comunidade de correspondentes de guerra japoneses no Oriente Médio.

Além dos conflitos, também cobriu o cotidiano dos refugiados, pessoas em situação de extrema pobreza, qualidade da educação e portadores de HIV na região.

A brutal morte do jornalista por decapitamento gerou uma profunda comoção no país, pois além da brutalidade, os terroristas ameaçaram realizar ataques em solo japonês.

Goto era casado com Ringo Jogo, o casal teve três filhos. O objetivo do jornalista na Síria naquela ocasião era libertar Haruna Yukawa, um civil japonês que atuava como mercenário no país amigo de Goto.

Fontes: BBC, Japan Today, CNN, DW, The New York Times, NPW, Japan Times.

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