Kintsugi: a arte de restaurar cerâmicas quebradas

Encontrar beleza em coisas quebradas é o espírito do wabi sabi, pelo menos de acordo com Muneaki Shimode, um jovem artesão de Kyoto que pratica kintsugi.

A palavra é escrita como 金継ぎ com kin significando ouro, enquanto tsugi significa conectar, como em conectar à palavra ou conectar gerações.

Trata-se da arte japonesa de consertar cerâmicas quebradas usando uma laca especial misturada com ouro, prata ou platina. A técnica de 400-500 anos busca consertar coisas quebradas não disfarçando a quebra, mas, em vez disso, acentuando-a. É uma forma de aceitação do imperfeito ou defeituoso.

Em 2014, Shimode e um grupo de artistas kintsugi viajaram de Kyoto para Tokyobike Londres, onde realizaram workshops e demonstraram o método antigo. O workshop foi documentado pela Greatcoat Films. “O momento em que algo foi quebrado é permanentemente capturado pelo trabalho árduo de um artesão”, explica o documentário. “É essa referência ao agora que lembra o mushin (無心), o não-apego, estar presente no momento, algo constantemente disponível para todos.”

Kunio Nakamura é outro artista kintsugi que advoga por sua arte e clama para que não joguem cerâmicas quebradas, especialmente as que têm valor sentimental. Heranças de família são peças únicas que nunca podem ser substituídas, diz ele, estimulando as pessoas a manterem os pedaços quebrados em uma sacola para que possam ser consertados eventualmente.


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Nakamura é o proprietário da 6 jigen, uma livraria e galeria no bairro de Ogikubo, em Tóquio. Quando o terremoto de Tohoku aconteceu, em 2011, ele ajudou muitas pessoas a consertar suas cerâmicas. Na verdade, alguns desses reparos ainda estão em andamento. Mas graças aos esforços de Nakamura, o interesse público em kintsugi definitivamente aumentou. Nakamura também se dispõe a realizar reparos voluntários de cerâmica em lugares atingidos por terremotos.

Dizem que a técnica nasceu no final do século XV quando o shogun Ashikaga Yoshimasa enviou uma cerâmica chinesa de volta à China para que fosse reparada. No entanto, quando devolvida, o reparo consistia em grampos de metal aparentes, nada delicados. Por isso, solicitou aos artesãos japoneses que procurassem um meio mais estético de reparar a peça. Nasceu assim a técnica kintsugi.

Técnica de reparo com grampos

Os tipos de reparo kintsugi

Existem alguns tipos principais de reparos

Rachadura, ou hibi: faz uso de pó de ouro e resina ou laca para grudar peças quebradas com o mínimo de sobreposição ou preenchimento de partes em falta.

 

Método de partes, ou kake no kintsugi rei: quando um fragmento da cerâmica não está disponível, ele é substituído por um composto de ouro e laca.

Chamada conjunta, ou yobitsugi: quando um fragmento semelhante, porém não correspondente, é usado para substituir a parte ausente do recipiente, criando um efeito de retalho.

Fontes: Spoon&Tamago, Wikipédia

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