Takigyo: meditação na cachoeira fortalece mente, corpo e alma

Takigyo é um treinamento japonês milenar. A prática budista envolve ficar parado e tentar meditar embaixo de água pesada e fria (15 graus) de uma cachoeira. Saiba mais.

Takigyo

Homem meditando embaixo da cachoeira

Essa prática budista do Japão é uma herança do shinto, um ritual chamado Misogi. Por muito tempo foi restringida a alguns sacerdotes.

Os dois rituais têm a mesma função: purificar o corpo, a mente e o espírito. As únicas diferenças são os cânticos e o direcionamento que o sacerdote budista ou shinto dará aos participantes.

Dependendo do local onde é realizado o takigyo há várias regras para participar. Os mais comuns são a proibição de fotos, uso de roupas de banho, banhos após a meditação e outros passeios.

Água gelada

Shugendo - Waterfallmeditation - Takigyo in Fushimi Inari Shrine

Os rituais takigyo e misogi costumam acontecer em temperaturas que variam de 10°C a 15°C. Os participantes entram embaixo da cachoeira para meditarem e orarem aos kami ou recitar sutras e mantras.

Além do frio e da água gelada das cachoeiras, a pressão da queda d’agua dificulta ainda mais a concentração de quem está meditando. Afinal, há frio, dor e desconforto em ficar parado em uma posição fixa.

A duração da meditação depende do quão habituado o praticante está com o ritual. Quem pratica constantemente costuma passar horas embaixo de uma cachoeira cantando e orando.

Pessoas e famílias que têm tradição no takigyo ou na misogi costumam acordar cinco da manhã para treinar nas cachoeiras completamente nu.

Alguns turistas estrangeiros e japoneses conseguem resistir bem ao frio e a pressão da água. A média é de meia para quem não tem treinamento. No entanto, é bem difícil manter a concentração e alguns aguentam 15 minutos ou menos.

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O ritual de purificação envolve todo um processo, desde acordar pela manhã para se dedicar a limpeza do corpo, da mente e do espírito até a conclusão do dia.

Para purificar a mente é preciso uma forte dedicação e esforço para reconhecer aquilo que não faz mais sentido dentro dos pensamentos.

Ao sair da cachoeira, os instrutores pedem aos participantes para não olharem para trás, apenas para frente em silêncio meditando com foco sobre o agora.

Além disso, eles recomendam ter práticas constantes para manter a mente, corpo e alma sempre purificados.

É uma prática interessante para testar os limites do corpo, ajuda no treinamento da meditação, além de ser renovador.

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