Conheça o Kamishibai, o teatro de papel japonês que originou o mangá

Você já ouviu falar no Kamishibai? Trata-se de uma forma de contar histórias na qual lâminas de papel com ilustrações são passadas, uma a uma, numa moldura de madeira que representa o butai (palco) conforme o narrador vai contanto a história.

As origens

Acredita-se que esta forma de contar histórias tenha se originado por volta do século XII com os monges budistas que, usando um emakimono (rolo de pintura), contava histórias explicando a moral budista para o público.

Exemplo de emakimono

Estes emakimono são também apontados como a origem do mangá, por se tratar de uma arte muito antiga de contar histórias através de desenhos sequenciais.

No entanto, o Kamishibai como conhecemos hoje, tem origens exatas desconhecidas, tendo surgido por volta de 1930, num tempo de profunda crise econômica quando a moral dos japoneses estava baixa e a pobreza imperava.

O artista de kamishibai estacionava sua bicicleta com a caixa moldura de apresentação montada na parte de trás. Ele então chamava a atenção do público, geralmente crianças, e aproveitava o ensejo para vender doces e guloseimas antes de contar as histórias. Assim ganhava seu sustento e levava alguma diversão para as crianças.

A era de Ouro

Kamishibai e histórias em quadrinhos (mangá) tornaram-se muito populares durante a Grande Depressão da década de 1930 e depois do final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Este período ficou conhecido como a Era de Ouro do Kamishibai no Japão.

O kamishibai produzido durante este período nos dá um panorama da mentalidade dos japoneses que viveram durante época tão tumultuada da história.

Só em Tóquio havia cerca 2500 kamishibai-ya (contador de kamishibai) em 1933. Eles faziam cerca de 10 apresentações diárias para um público aproximado de 30 crianças. Atendiam, portanto, cerca de um milhão de crianças todos os dias.

Os temas variavam bastante. Havia desde histórias clássicas do folclore japonês tais como Issunboshi, Momotaro e a Lenda do cortador de bambu, a histórias heroicas que faziam apologia ao nacionalismo japonês.

Uma forte industria de publicação emergiu em torno do kamishibai e dos quadrinhos. Diz-se que os verdadeiros artistas de kamishibai só utilizavam arte original pintada à mão, e não o tipo produzido em massa como o que encontramos nas escolas e a venda em livrarias. Havia, portanto, demanda para os desenhistas também.

Artistas de mangás e animes, como Shigeru Mizuki (GeGeGe no Kitarou), Goseki Kojima (Lobo Solitário) e Sanpei Shirato (A Lenda de Kamui) começaram carreira no kamishibai. Por exemplo, o personagem de Takeo Nagamatsu, Ougon Bat, conhecido no Brasil como Fantomas, estreou primeiramente no kamishibai, em 1930.


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O declínio

A popularidade do kamishibai declinou com o fim da Ocupação Aliada (1945-1952) e a introdução da TV (originalmente conhecida como denki kamishibai, ou kamishibai elétrico), em 1953.

Embora este formato de contação de histórias tenha entrado em declínio e quase desaparecido ao longo dos anos, seu significado e contribuições são notavelmente valorosos nas origens do mangá e do anime no Japão.

Especialmente nas escolas, o kamishibai ainda é uma forma muito comum de contação de histórias.

Kamishibai no Brasil

Existe uma iniciativa da Universidade Federal do Paraná na qual os estudantes do curso de Letras Japonês fazem um trabalho de tradução e adaptação das histórias tanto japonesas quanto lendas e contos de fadas ocidentais e as apresentam para o público em geral. Eles costumam se apresentar em eventos de cultura japonesa, como por exemplo os matsuris, e também em hospitais e asilos da região de Curitiba. Veja abaixo um vídeo no qual a professora Dra. Márcia H. Namekata faz uma breve explicação sobre o projeto.

Conhece alguma outra iniciativa brasileira na área? Compartilhe com a gente nos comentários!

Fonte: Wikipedia, Youtube

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