Omen: as histórias sombrias por trás das máscaras de festivais japoneses

Os festivais, ou matsuri, são a atividade de verão por excelência no Japão. E se você for criança, uma das melhores coisas sobre um matsuri é fazer com que sua mãe ou seu pai compre para você uma máscara de plástico colorida conhecida como omen.

Hoje, as máscaras de festivais japoneses vêm em todos os tipos, incluindo super-heróis e outros personagens midiáticos. As mais tradicionais podem traçar sua origem em danças e apresentações sagradas da corte, mas que hoje são tratadas principalmente como lembranças de aparência tola.

No entanto, por baixo de todo aquele exterior divertido, às vezes você pode encontrar histórias sombrias e perturbadoras, como é o caso dos seguintes omen popular:

Máscara de festival japonês Okame

Um dos mais clássicos omen certamente é o Okame, a deusa com cara de lua e bochechas rosadas de “muitas fortunas”. Esta é uma alcunha que ela não recebeu ironicamente, pois hoje é uma divindade do casamento, parto, exames escolares, harmonia familiar, emprego etc. Ela também é um exemplo de uma “esposa perfeita”. Isto porque ela preferiria morrer a deixar que as pessoas soubessem que ela era mais inteligente do que seu marido.

Okame foi na verdade uma mulher real que viveu no século XIII no Japão. Ela era casada com um certo Nagai Takatsugu, um renomado carpinteiro que, enquanto trabalhava no hall do Senbon Shaka-do no templo Daihoon-ji em Kyoto, percebeu que um de seus pilares era muito curto para suportar o telhado. Tal erro ameaçou arruinar sua reputação, mas felizmente Okame veio com uma solução simples: usar suportes decorativos para preencher as lacunas, algo que nunca fora tentado em interiores.

Funcionou perfeitamente. E então, para garantir que ninguém descobrisse que uma mulher havia ofuscado um homem, Okame se matou. Mas a história ainda vazou e ninguém se importou, então, realmente, seu suicídio foi duplamente inútil.


Leia também:


Máscara de festival japonês Hyottoko

O simpático homem com lenço na cabeça e lábios enrugados é Hyottoko, a segunda máscara de matsuri mais popular de todos os tempos, quase sempre aparecendo junto com Okame como uma espécie de casal cômico. Mas não há nada de engraçado na história de Hyottoko.

De acordo com os mitos da província de Iwate, certa vez um velho estava recolhendo lenha no alto das montanhas quando se deparou com uma princesa do submundo que o levou para seu palácio e mais tarde deu a ele Hyottoko, uma criança com um rosto estranho, como presente.

O homem gostou do menino, principalmente depois que descobriu que ele produzia ouro do umbigo. No entanto, a gananciosa esposa do homem queria mais e mais ouro. Um dia então ela começou a cavar no abdômen da criança com um par de pinças e acabou por matá-lo.

Atingido pela dor, o homem fez uma máscara semelhante ao rosto de Hyottoko para se lembrar dele e pendurou-a sobre sua lareira, que hoje simboliza uma fonte de felicidade para as famílias que fazem o mesmo.

Máscara de festival japonês Tengu

Junto com as máscaras dos oni, as máscaras tengu são populares entre as crianças por causa de sua aparência feroz e narizes hilariantes.

Embora todos os tengu possam ser amplamente descritos como criaturas sobrenaturais com asas e narizes longos, na verdade existem dois tipos de tengu na mitologia japonesa. Existem gigantes como Doryo, uma divindade guardiã de uma montanha sagrada em Kanagawa; e tengu menores, semelhantes a corvos, que são uma espécie de patrono dos ninjas por causa de seus poderes mágicos. Eles também são bastardos misantrópicos com uma tendência para o sacrilégio. Frequentemente, passam seu tempo livre tentando seduzir religiosos ou sequestrar pessoas e forçá-las a… comer fezes até ficarem loucas.

As máscaras tengu quase sempre representam os tengu maiores e mais nobres. Mas de acordo com algumas versões do mito, isso não importa porque eles são na verdade um e o mesmo.

Fonte: TokyoWeekender

Receba GRÁTIS notícias do Japão
Copy link