Conheça como é a vida de um coveiro no Japão e o preconceito que enfrenta

Ser coveiro no Japão é uma das tarefas mais difíceis. Não somente por ter de lidar cotidianamente com a morte, mas também porque é uma profissão que sofre muito preconceito.

Saiba um pouco mais de como esses profissionais sofrem por fazer uma tarefa que todos querem recusar olhar e conheça um pouco mais sobre a cultura japonesa.

Como é ser coveiro no Japão?

Comumente, um coveiro é a pessoa que lida com a manipulação de um corpo de alguém que morreu.

No Brasil, como se sabe, essa profissão possui alguns preconceitos, mas, normalmente, desperta mais curiosidade das pessoas do que uma separação social.

O mesmo não acontece no Japão. As profissões que estão estritamente relacionadas com a morte são alvo de muito preconceito.

Apesar dos japoneses apreciarem maquiar e preparar os corpos de seus entes queridos para a passagem para o “outro mundo”, as pessoas que fazem esse serviço sofrem uma certa exclusão social.

Mesmo suas atividades sendo essenciais para a manutenção de certos costumes japoneses, muitos entendem que essas pessoas devem ficar mais afastadas, afinal de contas, elas lidam diretamente com a morte e isso pode trazer alguma má sorte.

Entretanto, há uma certa mudança na mentalidade japonesa e a tentativa de compreender melhor o trabalho dessas pessoas como fundamental para o Japão.

Mas, o coveiro em si, aquele que não fará a maquiagem no corpo, mas que terá somente a função de carregá-lo, sofre preconceito.

Isso ocorre também porque no Japão existem os burakumin, uma minoria que desde os tempos medievais trabalhavam com as atividades que eram tidas como impuras.

Entre essas atividades estava a função de ser coveiro, bem como a de açougueiro, limpadores de ruas entre outras.

Esse é um preconceito que se perpetua há séculos na cultura japonesa e é reforçado pelo conceito de pureza que existe na prática religiosa do xintoísmo.

Assim, mesmo que tenha diminuído nos últimos tempos, ainda existem muito preconceito com quem trabalha com a morte no Japão.


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Para saber mais, veja esse filme

Um bom filme para se ter a dimensão de como o ritual funerário é tratado no Japão, é A partida.

O filme retrata a história de um jovem que pretendia tocar violoncelo profissionalmente. Entretanto, a dívida para comprar o instrumento e ao não conseguir shows suficientes para conseguir pagar as suas dívidas, acabam o levando para outra profissão.

Essa nova profissão é de agente funerário. Assim, ele passa a ter como função maquiar e arrumar as pessoas mortas para o velório.

Entretanto, apesar do bom salário, o protagonista tem de lidar com o seu próprio preconceito. Dessa maneira, é apresentado na trama como trabalhar com a morte no Japão é sinônimo de algo que possa ser ruim.

Assim, o filme também abora uma série de outras descobertas pela qual o personagem principal passa ao mesmo tempo que tem como fundo a cultura funerária japonesa. Vale a pena assistir.

 

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