Futoko: por que as crianças japonesas estão se recusando a ir para a escola?

O futoko é o nome de um fenômeno recorrente no Japão, ele refere-se à recusa das crianças em ir para a escola.

A cada dia que passa mais famílias estão tendo de lidar com o fato de que as crianças não querem mais ir para a escola. Mas, afinal de contas, o que será que as incomoda tanto em ir para escola?

O futoko e as crianças do Japão

Como mostrou uma reportagem da BBC, uma criança, a Yuta Ito, de dez anos, esperou até o feriado anual da Golden Week para contar aos pais como estava se sentindo – em um dia em família, ele confessou que não queria mais ir à escola.

Durante meses, ele frequentou a escola primária com grande relutância, e muitas vezes não ia por se recusar. Ele não queria ir pois estava sendo intimidado pelos seus colegas de classe sofrendo bullying. 

Seus pais então tiveram três opções: fazer com que Yuta frequentasse o aconselhamento escolar na esperança de que as coisas melhorassem, ensiná-lo em casa ou mandá-lo para uma outra escola com outra metodologia. Eles escolheram a última opção.

Yuta foi para uma escola alternativa que é reconhecida pelo governo como uma alternativa à escola tradicional. Nessas escolas são priorizadas a liberdade e a individualidade das crianças. O número de matrículas nesse tipo de escola tem aumentado a cada dia, Assim como também aumenta o número de casos de bullying, principalmente nas escolas  padrão.

Em 17 de outubro de 2019, o governo anunciou que o absenteísmo entre os alunos do ensino fundamental e médio atingiu um recorde, com 164.528 crianças ausentes por 30 dias ou mais durante 2018, contra 144.031 em 2017.


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O futoko e as escolas livres no Japão

As escolas livres no Japão possuem uma outra metodologia. E tentam dar mais atenção aos alunos para evitar que a concorrência entre eles e a prática do bullying. Esse movimento das escolas livres começou no país na década de 1980 para tentar conter o número de abandonos da escola tradicional que já estava aparecendo naquela época.

Assim, essas escolas são uma alternativa aceita à educação obrigatória, junto com a educação em casa, mas não dão às crianças uma qualificação reconhecida.

O número de crianças que estão matriculas nesse tipo de escola cresce a cada ano. Assim, em 1992 eram pouco mais de 7 mil. Já no ano de 2018, eram mais de 20 mil.

Abandonar a escola pode ter consequências de longo prazo, e há um alto risco de que os jovens se retirem totalmente da sociedade e se fechem em seus quartos – um fenômeno conhecido como hikikomori e que a cada dia preocupa mais as autoridades japonesas.

Porém, ainda mais preocupante é o índice de jovens que se matam. Como esses índices não param de crescer, desde 201 o governo japonês lançou um projeto de prevenção ao suicídio que deve ser aplicado em todas as escolas.